quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Re-construindo...

Um grão, uma semente que brota,
E em nosso coração é o que conforta,
As dores pelas raízes que foram tiradas,
Dos migrantes durante suas caminhadas.

E o ritmo que bate hoje é como o fogo,
Que acende e traz de volta a identidade de um povo,
E nas alfaias a marcação de toda uma nação,
E em suas batidas que confortam o coração.

E é no sorriso das crianças,
E dos adultos que se encantam pelas danças,
Que encontramos a razão para continuar,
A trilhar um caminho espetacular.

É o batuque dos atabaques e dos tambores,
Que desperta no som a razão de nossos amores.
E esses batuqueiros que vivem aqui,
Se unem para fazer uma cohab mais feliz.


Autora: Juliana Souza

Pintor-caçador das cavernas paleolíticas de Ketu

Dorme quieto

Sob as tochas ondulantes do mistério

Mago-caçador empregado pelo estômago

A pintura que pintaste, é teoria, nego, é pratica & enredo

Nesta caverna onde inaugurastes brutos credos

Ao som de tambores, cores intensas brilhavam na ponta dos dedos

Com uma câmera na cabeça & uma idéia na mão

Impregnastes o templo de contemplação

E a câmara que guardava tua cama

Amores amigos e outros sem-teto

Ganhou aspecto de igreja

O estranho que ali “pintava” sentia medo

Pois emanava uma força muito de perto

Caçador-pintor das cavernas paleolíticas de ketu

Eu vibro tua encarnação com todos os segredos

Mas instigados de outros alvos & outros métodos

Insisto, que não vamos parar de pintar tão cedo

Pintor caçador das cavernas paleolíticas de ketu


Autor: Leandro Valquer

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

População Carcerária, ou Escravidão Pós-abolicionista

Cnidosculus Philacanthus, popularmente conhecida pelo nome de favela, é uma planta originária do sertão brasileiro, mais comumente encontrada na Bahia, numa região em que pessoas fugindo da fábrica da sede e da fome, no fim do regime escravista, resolvem dar um basta, pra fundar uma outra organização baseada na fartura, na liberdade e no respeito, lá se uniram flagelados da seca, cangaceiros, jagunços, escravos fugidos, alforriados, prostitutas, mascates, agricultores, beatas,parteiras, o negócio deu certo! Indo de vento em polpa, o arraial de Canudos prosperava.

Porém a monocultura, a igreja, a cultura do capital, viu nascer ali uma nova concorrência, tratando logo de enviar uma expedição genocida contra o arraial, uma só não bastou, o exército fugiu com o rabinho entre as pernas, na segunda novamente, e na terceira... Foi a glória da história oficial.

Para lavar a sangueira, muita água!! Alagaram a cidade mudaram a geografia, o combate virou matéria de livro didático: Um mau exemplo para as novas gerações. Os soldados que acamparam no morro da Favela na Bahia, voltaram vitoriosos ao Rio de Janeiro, (a então capital federal do Brasil) desempregados, fudidos e sem soldo, foram morar no morro, que batizaram como Morro da Favela.

Pura Ironia da História, a primeira favela foi habitada por soldados que à serviço do Capital, fizeram um mar de sangue na Bahia. Mas parece que esta nova Favela trouxe uma semente ant-capitalista, com as mesmas vontades do arraial de Canudos, ou melhor; as vontades de Canudos ampliadas à quinta potência. As crianças ouvem Rap, música pesada para a burguesia, mas pra quem vive aquele cotidiano desgraçado, é só catarse, é a Cientifização do Ódio de classe, é, um Rap que cita Steve Biko, dizendo que “a mente do oprimido é a arma do opressor”, não é inconseqüente, Um Rap que cita Glauber Rocha dizendo: “A mais nobre expressão cultural da fome é a violência!” , Um Rap que cita Marx:” dizendo que o pensamento dominante é o pensamento da classe dominante”, dizendo tudo isso sem afetação intelectual, numa boa, á queima roupa, me faz lembrar Frantz Fanom(vale a pena ler) e seus textos explosivos, para as guerrilhas de libertação africana.

Tudo porque a cultura do capital só quer saber do consumo, consumo que já mamou 20% a mais do que a terra-escrava poderia oferecer, sob o ditame de quem não consome (ou não produz) deve morrer, pra servir de exemplo aos rebeldes ou preguiçosos - pelourinho eletrônico, plim-plim - criminalização da miséria, é o lema da Santa Aquisição.

Afinal a prole nasceu pra isso, não é? Dandá, dandá. Dandá pra ganhar vintém...


Leandro Valquer